Eleição de Víctor Manuel Noriega Reátegui encerra gestão brasileira que retomou as atividades do colegiado e ampliou o diálogo parlamentar entre os países amazônicos
O Parlamento Amazônico (Parlamaz) voltou a ser presidido pelo Peru, país onde foi criado, em 1989. O senador peruano Víctor Manuel Noriega Reátegui foi eleito por aclamação durante assembleia realizada em Erevã, na Armênia, à margem da COP17 da Biodiversidade nesta quarta-feira (28). Ele sucede o senador Nelsinho Trad (PSD-MS), cuja gestão foi marcada pela retomada das atividades do colegiado, em 2020, após anos de inatividade, e pela articulação de uma agenda de cooperação entre os países amazônicos.
Ao discursar após a eleição, Noriega Reátegui afirmou que pretende dar continuidade ao trabalho desenvolvido pelo senador brasileiro e reunir as diferentes perspectivas nacionais em torno de uma agenda comum de desenvolvimento para a Amazônia.
“Não se trata de superar, mas de seguirmos caminhando juntos”, afirmou o novo presidente. Noriega Reátegui também pediu que o senador Nelsinho Trad continue contribuindo com o colegiado, destacando sua experiência e capacidade de reunir representantes da região.
A retomada do Parlamaz ocorreu em dezembro de 2020, durante a pandemia. Um dos primeiros desafios foi restabelecer o diálogo entre as delegações e criar condições para a continuidade das atividades. Em 2021, foi criada a Secretaria Conjunta do Parlamento, para dar suporte aos trabalhos e à interlocução entre os países.
Durante a gestão, foram promovidas visitas técnicas na Colômbia, no Brasil e no Peru, aproximando parlamentares de experiências de produção sustentável, pesquisa e iniciativas comunitárias. Em 2025, a agenda passou a se concentrar em três eixos: restauração de florestas e ecossistemas, bioeconomia sustentável e manejo integrado do fogo. Entre os encaminhamentos estão a proposta de criação de um observatório parlamentar sobre restauração florestal e a elaboração de um roteiro de ações para o manejo integrado do fogo.
Vanessa Grazziotin destaca importância histórica da retomada
A diretora executiva da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), Vanessa Grazziotin, atribuiu ao senador Nelsinho Trad, ao lado de parlamentares brasileiros e dos demais países, papel importante na reativação do Parlamaz. Ex-senadora pelo Amazonas, ela afirmou que a retomada já integra a história do colegiado e defendeu a continuidade do trabalho pela nova presidência.
“É um papel importante e que já está escrito e marcado na história desse Parlamento”, afirmou Vanessa.

Ela também ressaltou a necessidade de ampliar o reconhecimento do Parlamaz e assegurar condições para sua continuidade. Entre os próximos passos está o fortalecimento da relação institucional com a OTCA, que reúne os oito países amazônicos.
A gestão do senador Nelsinho Trad manteve interlocução com delegações parlamentares, chancelarias e representantes da organização para discutir formas de aproximar as duas instituições. A proposta de estabelecer um canal de diálogo periódico com a OTCA integra os encaminhamentos desse trabalho.
A formalização de um vínculo permanente entre o Parlamaz e a organização, por meio de um protocolo adicional ao tratado, não foi concluída durante a gestão. O avanço desse processo permanece na agenda do colegiado e será um dos desafios da nova presidência. A iniciativa busca dar maior estabilidade à interlocução entre os legislativos e os mecanismos de cooperação regional.
Senador Nelsinho Trad relaciona Amazônia à segurança hídrica do Pantanal
No relatório de gestão, o senador Nelsinho Trad relacionou a agenda amazônica aos interesses de Mato Grosso do Sul, estado que representa e que não integra a Amazônia Legal. A conexão, explicou, passa pela água: a umidade liberada pela floresta é transportada pelos ventos e contribui para as chuvas que abastecem o Pantanal.
“A floresta devolve água à atmosfera. Transportada pelos ventos, essa umidade participa dos chamados rios voadores e contribui para as chuvas que alimentam o Pantanal”, afirmou o senador Nelsinho Trad.
Para ele, conservar a Amazônia também significa cuidar da segurança hídrica, da biodiversidade e das condições de vida da população sul-mato-grossense. O relatório também destaca a importância das águas subterrâneas. Mato Grosso do Sul abriga parte do Sistema Aquífero Guarani, compartilhado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. Na Amazônia, o Aquífero Alter do Chão é outro importante reservatório de água doce. A proteção desses recursos exige conhecimento científico, planejamento e cooperação.



