Representantes dos oito Países Membros da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), especialistas e parceiros técnicos estão reunidos em Brasília, nos dias 27 e 28 de agosto, para avançar na construção de uma abordagem regional para compreender e monitorar a degradação florestal na Amazônia.

O evento, que reúne cerca de 60 participantes, é uma iniciativa da OTCA, no âmbito da Rede Amazônica de Autoridades Florestais (RAFO), com apoio técnica do Joint Research Center da Comissão Europeia (JRC) e suporte do Programa Amazônia+, financiado pela União Europeia e implementado pela Expertise France, Cooperação Italiana AICS e espanhola FIAP.

O “Encontro Regional sobre Degradação Florestal na Amazônia: Metodologias e Ferramentas para a Cooperação no âmbito da Rede Amazônica de Autoridades Florestais (RAFO)” busca aproximar conceitos, metodologias e experiências desenvolvidas pelos países e identificar elementos comuns que possam fortalecer o monitoramento e apoiar decisões e políticas públicas na região.

Criada no âmbito da OTCA, a RAFO é um espaço de coordenação técnica entre as autoridades responsáveis pelas florestas nos Países Membros. Seu Plano de Trabalho 2025–2027 prioriza o fortalecimento das capacidades nacionais para o monitoramento do desmatamento e da degradação florestal e uma maior articulação regional.

Diferentemente do desmatamento, caracterizado pela remoção da cobertura florestal, a degradação envolve alterações na estrutura e no funcionamento da floresta que podem ser mais difíceis de identificar, medir e comparar. As diferenças conceituais e metodológicas entre países tornam a construção de uma visão regional um desafio técnico e, ao mesmo tempo, uma prioridade para a cooperação amazônica.

Na abertura do encontro, a diretora-executiva da OTCA, Vanessa Grazziotin, destacou que enfrentar esse desafio requer combinar o conhecimento já produzido pelos países com uma perspectiva regional. “Temos que avançar não apenas no conceito de degradação, mas também nas metodologias que nos permitam fazer esse monitoramento. A expectativa é que possamos avançar juntos e construir um caminho comum para a região”, afirmou Grazziotin. Também participaram da abertura a Presidência Pro tempore da RAFO e representantes da Delegação da União Europeia no Brasil.

Cerca de 600 participantes estiveram no “Encontro Regional sobre Degradação Florestal na Amazônia: Metodologias e Ferramentas para a Cooperação no âmbito da Rede Amazônica de Autoridades Florestais (RAFO)” Foto: Frida Montalvan/OTCA.

Experiências nacionais como ponto de partida

Os Países Membros apresentam suas experiências no monitoramento e enfrentamento da degradação florestal, permitindo comparar conceitos, metodologias, avanços, lacunas e desafios. O intercâmbio inclui também contribuições de instituições científicas, organizações da sociedade civil, Povos Indígenas e comunidades locais.

Para a Presidência pro Tempore da RAFO atualmente representado pelo Peru ressaltou que o intercâmbio é particularmente relevante porque a degradação florestal vem adquirindo importância crescente nas agendas dos países, mas ainda não conta com uma abordagem homogênea na região. “Temos diferentes experiências e diferentes formas de abordar a degradação florestal. Este encontro nos permite conhecer o que cada país está fazendo, identificar pontos em comum e avançar em uma visão regional que respeite as particularidades nacionais”, ressaltou o presidente pro tempore.

A integração não significa substituir os sistemas nacionais por uma única metodologia. O objetivo é identificar convergências, compreender diferenças e ampliar a comparabilidade das informações, preservando as especificidades e capacidades de cada País Membro.

Para o Observatorio Regional Amazonico (ORA), a comparação entre as diferentes fontes e metodologias é fundamental para entender o que os dados efetivamente mostram sobre a degradação da floresta. “A degradação é muito mais difícil de identificar e medir do que o desmatamento. Por isso, precisamos conhecer as metodologias utilizadas pelos países, compará-las com as ferramentas disponíveis em escala regional e entender como esses dados podem ser integrados. O ORA pode contribuir justamente para construir essa visão amazônica compartilhada”, afirmou.