Brasília, 27 de março de 2026 — Os Países Membros da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA) avançam na consolidação de uma agenda regional de segurança pública.

Nesse contexto, foi realizada na sede da OTCA, em Brasília, a “Jornada técnica de fortalecimento dos planos de ação no âmbito da Comissão Especial de Segurança Pública e Ilícitos Transfronteiriços e Transnacionais na Região Amazônica (CESPIT)”, nos dias 26 e 27 de março. O encontro reuniu delegações de todos os países membros para revisar e ajustar os instrumentos operacionais que orientam a ação conjunta na região. A jornada contou com o apoio do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) e do Banco Mundial.

O secretário-geral da OTCA, Martin von Hildebrand, destacou que os principais desafios enfrentados pela Amazônia exigem respostas coordenadas entre os países. “O desafio da segurança, assim como a saúde, o fogo e as alternativas econômicas sustentáveis, não pode ser resolvido de forma isolada. São questões regionais que requerem cooperação para proteger a floresta, evitar o ponto de não retorno e garantir o bem-estar da população”, afirmou.

Sob a perspectiva internacional, a UNODC alertou para a crescente complexidade do crime organizado na região. A diretora Elena Abbati explicou que os grupos criminosos diversificaram suas atividades e atuam simultaneamente em diferentes frentes. “Observam-se mudanças significativas na sua atuação, com presença no tráfico de drogas, na mineração ilegal, no desmatamento, nos crimes contra a vida silvestre e no tráfico de pessoas”, afirmou.

Abbati também ressaltou o peso econômico dessas atividades. Segundo ela, os crimes ambientais já ocupam a terceira posição entre as economias ilícitas mais lucrativas do mundo, com receitas estimadas em até 200 bilhões de dólares por ano.

A Presidência Pro Tempore da CESPIT, exercida pela Colômbia, destacou o caráter técnico da jornada e sua orientação a resultados. Carolina Adana García explicou que o processo avança para consolidar instrumentos mais claros e operacionais para o próximo período, com o objetivo de contar com planos de ação harmonizados e padronizados, que definam com maior precisão as atividades, os entregáveis verificáveis, as evidências mínimas, os cronogramas, os níveis de prioridade e as instâncias de apoio. “Buscamos assegurar que contamos com planos sólidos e bem estruturados para 2026 e 2027”, afirmou a presidente.

Participantes da Jornada de fortalecimento técnico dos planos de ação da Comissão Especial de Segurança Pública e Ilícitos Transfronteiriços e Transnacionais na Região Amazônica (CESPIT). Foto: Adriana Herrera.

Uma agenda de cooperação regional

O representante da Polícia Federal, Humberto Freire, destacou que enfrentar os crimes ambientais é uma medida concreta para reduzir emissões e conter o desmatamento. “Combater os crimes ambientais e reduzir o desmatamento que eles provocam contribui de forma eficaz e rápida para a mitigação das mudanças climáticas”, afirmou.

Freire apresentou as ações do Centro de Cooperação Policial Internacional (CCPI) da Amazônia e ressaltou a importância de fortalecer o intercâmbio de informações entre os países. Segundo ele, ampliar a cooperação em inteligência é fundamental para investigar as cadeias criminosas, atuar na origem dos delitos e promover a troca de experiências entre as autoridades.

Nesse cenário, o combate a atividades como a exploração ilegal de madeira, a mineração ilícita e o tráfico de fauna se consolida como um eixo central da agenda regional. Essas práticas não apenas alimentam redes de crime organizado transnacional, como também impulsionam o desmatamento, degradam ecossistemas estratégicos e contribuem para a emissão de gases de efeito estufa. Melhorar a resposta coordenada a esses ilícitos constitui, portanto, uma via eficaz para desacelerar as mudanças climáticas.

A CESPIT

Criada em junho de 2025, em Letícia (Colômbia), a Comissão Especial de Segurança Pública e Ilícitos Transfronteiriços e Transnacionais na Região Amazônica (CESPIT) representa um avanço estratégico na cooperação amazônica ao colocar a segurança pública e o combate aos crimes ambientais no centro da ação regional, como forma de garantir o bem-estar das populações e proteger a integridade do bioma.

Sua implementação integra um processo mais amplo de fortalecimento institucional da OTCA, que no último ano também reativou as comissões nas áreas de meio ambiente e mudanças climáticas, saúde e ciência e tecnologia, em linha com os mandatos da Declaração de Belém de 2023.

Foto em Destaque: Sobrevoo Pará (Foto_Marizilda Cruppe_Amazônia Real).