O Observatório Regional Amazônico da OTCA (ORA/OTCA) lançou na última quinta-feira (28) o novo Painel de Degradação Florestal da Amazônia, ampliando o conjunto de ferramentas de monitoramento ambiental disponíveis na plataforma. A nova interface reúne mapas e gráficos dinâmicos que apresentam a série histórica de dados de degradação florestal dos oito países amazônicos (Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Peru, Guiana, Suriname e Venezuela) entre 1984 e 2024, permitindo análises espaciais e temporais integradas. Há ainda uma análise específica para todas as áreas naturais protegidas e territórios indígenas na Amazônia.

O módulo de degradação passa a complementar os dados de desmatamento já disponibilizados pelo ORA. “O desmatamento é a remoção total da cobertura de vegetação nativa, já a degradação representa um processo intermediário, de empobrecimento da floresta, sem sua destruição completa, como ocorre, por exemplo, no corte seletivo de árvores”, explica Maycon Castro, Especialista Monitoramento Ambiental do ORA.

“Compreender a degradação é essencial porque ela frequentemente antecede diferentes trajetórias da paisagem. Uma área degradada pode evoluir para o desmatamento, avançar para a regeneração florestal ou permanecer por longos períodos em um estado de pousio”, explica Tarsila Andrade, especialista em geoprocessamento do ORA. 

A degradação florestal é mais difícil de mapear do que o desmatamento, pois, em alguns casos, ocorre com a floresta ainda em pé. Entre seus principais vetores estão os incêndios florestais, intensificados nos últimos anos por cenários de seca na Amazônia, o corte seletivo de madeira e o efeito de borda associado à fragmentação da paisagem. Estes processos reduzem a capacidade da floresta de prover serviços ecossistêmicos, como regulação climática, conservação da biodiversidade e manutenção do ciclo hidrológico. O acesso a esse tipo de informação é estratégico para subsidiar políticas públicas baseadas em evidências nos países amazônicos.

“Nossas análises sobre áreas degradadas podem inclusive ajudar a separar as atividades ilícitas de corte seletivo, daquelas que através das concessões florestais praticam o corte seletivo”, explica afirma Arnaldo Carneiro, coordenador do ORA.

Eventos de Perturbação

Os dados que alimentam o painel têm como base o produto Tropical Moist Forests (TMF), desenvolvido pelo Joint Research Centre (JRC) da União Europeia, que utiliza imagens de satélite para monitorar a evolução das florestas tropicais ao longo do tempo. Pela metodologia do TMF, uma área é classificada como floresta degradada quando sofre até três episódios de perda temporária da copa das árvores ao longo do tempo. Esses eventos, que podem ser causados por fogo, exploração de madeira ou outras pressões, duram no máximo cerca de dois anos e meio e precisam estar separados por períodos de recuperação da floresta.

Quando as perturbações se tornam mais frequentes, ou seja, passam de três ocorrências, a área deixa de ser considerada degradada e passa a entrar na conta do desmatamento, a partir do primeiro impacto registrado. Nos anos mais recentes da análise, o sistema adota critérios adicionais para diferenciar degradação e desmatamento, com base na quantidade e na consistência das observações feitas pelos satélites.

“Essas informações permitem enxergar a Amazônia de maneira mais completa, revelando não apenas onde a floresta foi derrubada ou degradada, mas também onde ela está sendo regenerada, pois o universo de áreas que foram desmatadas e abandonadas também é importante. Este mapeamento deve permitir identificar ambas trajetórias: da degradação ao desmatamento e do desmatamento para a regeneração. Isso amplia nossa capacidade de interpretar a história recente da região e fortalece o apoio aos países amazônicos na formulação de políticas baseadas em evidências”, afirma Carneiro.

O novo painel de Degradação Florestal está reunido na Aba “Deforestation”, em seguida, “Deforestation/Degradation”, na qual o usuário pode optar por analisar os dados de degradação florestal ou desmatamento.

Foto: Área desmatada ilegalmente, no Amazonas. Crédito: Ditec_Ibama/AM / Ibama.