Brasília, 30 de junho de 2026 – A Secretaria Permanente da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA) realiza, nesta terça-feira, em sua sede, em Brasília, o seminário “Construindo uma agenda de infraestrutura sustentável, inclusiva e resiliente para a Amazônia”, um espaço de diálogo que reúne representantes dos governos dos países amazônicos, organizações indígenas, instituições acadêmicas, especialistas e organizações da sociedade civil para trocar experiências e impulsionar uma visão compartilhada sobre o planejamento da infraestrutura na região amazônica.

O seminário é organizado pela Derecho, Ambiente y Recursos Naturales (DAR), pela Rede Amazónica de Informação Socioambiental Georreferenciada (RAISG), o Grupo de Trabalho sobre Infraestruturas e Justiça Socioambiental (GT Infra), a WWF, o Instituto Pan-amazónico (IPA), o Fórum Social Pan-amazónico (FOSPA) e a Fundação para a Conservação e o Desenvolvimento Sustentável (FCDS), com o apoio da OTCA e do Instituto de Energia e Ambiente (IEMA).

O objetivo do encontro é compartilhar boas práticas e lições aprendidas sobre estratégias de infraestrutura sustentável, inclusiva e resiliente, especialmente no setor de transportes, bem como gerar subsídios para um diálogo multissetorial que permita identificar oportunidades de cooperação e articulação para promover modelos de infraestrutura compatíveis com a conservação dos ecossistemas amazônicos e o bem-estar de suas populações.

A abertura do seminário contou com as palavras do secretário-geral da OTCA, Martin von Hildebrand; do coordenador de Relações Internacionais e Cooperação da Coordenadora das Organizações Indígenas da Bacia Amazônica (COICA), Julio César López; e de María Inés Rivadeneira, líder regional de Políticas para a América Latina e o Caribe do WWF.

Em sua intervenção, o secretário-geral da OTCA destacou que o desafio para a Amazônia já não consiste apenas em ampliar a infraestrutura existente, mas em definir um novo modelo de desenvolvimento que responda às necessidades da região sem comprometer a integridade de seus ecossistemas.

“A infraestrutura na Amazônia é necessária. Ninguém pode contestar isso. Mas a questão já não é se devemos construir infraestrutura. A verdadeira questão é que tipo de infraestrutura a Amazônia precisa no século XXI.”

Além disso, destacou a importância de conceber a infraestrutura a partir de uma perspectiva integral, que fortaleça tanto o bem-estar das pessoas quanto o funcionamento da floresta amazônica.

Por sua vez, Julio César López destacou a importância de que os povos indígenas participem ativamente da construção de soluções para a conectividade regional, promovendo uma infraestrutura que respeite os territórios, a diversidade cultural e o equilíbrio do bioma amazônico.

María Inés Rivadeneira destacou que a cooperação entre governos, povos indígenas, sociedade civil, comunidade científica e organismos internacionais é fundamental para promover um planejamento que incorpore critérios de sustentabilidade, resiliência climática, conectividade ecológica e gestão integrada do território desde as etapas iniciais dos projetos de infraestrutura.

A programação do seminário inclui painéis sobre a evolução histórica dos corredores de transporte na Amazônia, a conectividade regional e a infraestrutura ecológica e viária, bem como a apresentação de experiências e boas práticas desenvolvidas na Colômbia, no Equador, no Brasil e no Peru para avançar rumo a sistemas de transporte mais sustentáveis e inclusivos. Os debates incluem espaços de diálogo voltados ao fortalecimento da cooperação entre governos, organizações indígenas, academia e sociedade civil.

O seminário é realizado em um contexto de crescente cooperação regional para promover modelos de desenvolvimento que integrem infraestrutura, conservação e bem-estar social, em consonância com a Declaração de Belém, adotada pelos países amazônicos em 2023, que impulsiona o fortalecimento das políticas públicas e da cooperação para incorporar padrões de sustentabilidade ao planejamento e à execução de projetos de infraestrutura na Amazônia.